Esta grande fábrica de miséria donde
escrevo, esta terrível máquina de empobrecimento da classe
trabalhadora, especialmente da juventude e das mulheres, chamada capitalismo,
define-se por algo realmente arrepiante: todo é susceptível
de mercantilizaçom, quer dizer, todo tem um preço. A comida,
bebida, vivenda, saúde, cultura, lazer... mesmo comprar um ser
humano, preferivelmente mulher, por umhas horas para o desfrute pessoal
resulta doado.
Nom direi nada novo ao alertar que o mundo está submerso numha grave
crise a todos os níveis. Também, com certeza nom direi nada
novo ao sublinhar que nos dias de hoje nom só periga a felicidade
dos seres humanos, o aumento da desigualdade, das injustiças, da
exploraçom, do machismo, da reacçom, senom também
a existência do próprio planeta.
Porém, acho a situaçom o suficientemente grave como para
me arriscar e resultar reiterativo, pesado e abafante. Mais umha vez quero-o
falar agora, ao maior número de pessoas possíveis, e desde
qualquer meio que o permitir.
Porque a Marinha nom chega a fim de mês por se lhe ir o soldo no
aluguer, o Roi adia a sua emancipaçom e fica “preso” em
casa dos pais, a Antia nom conseguiu o posto de trabalho por estar “gorda” e
o Alexandre foi obrigado a falar em castelhano no seu trabalho para os
turistas nom se “queixarem”. Porque donde eu som antes havia
pássaros, burboletas e teixos, onde agora há cimento, tijolos
e eucalipto.
E todo isto tem umhas motivaçons, tem uns beneficiários,
e claro, tem umhas vítimas e umhas conseqüências. Mas
também soluçom.
À beira da juventude passiva, consumista e envelhecida que fabrica
em série o Capital existe umha outra juventude rebelde e luitadora,
crítica e indomável. E é essa a juventude que sabe
que o nosso futuro como povo passa por acabar com a dependência nacional
que sofre a Galiza por parte de Espanha e luitar por construir um estado
socialista galego que acabe com a propriedade privada e a sociedade classista
e patriarcal. A juventude desta naçom milenária que se nega
a ser o que os opresores querem que sejamos. Esta é a juventude
que este 24 e 25 em Compostela desovedecerá Espanha e resistirá o
Capital.
Porque sonhamos, porque queremos, umha Galiza ceive, socialista e nom patriarcal.
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