 Alexandro Santos Uma característica da CM é que tem uma série de agrupamentos que produzem conteúdos artísticos nomeadamente a Orquestra Nacional do Porto, que é a Orquestra sinfónica, sediada aqui na CM, a Orquestra Barroca da CM, Remix-Essemble que é mais contemporâneo e o coro Casa da Música, que estreou este domingo que passou que é o último projecto lançado pela CM.
Montserrat Rodríguez/ PORTO -Quantos agrupamentos residentes há? -No total são quatro. Desde música antiga com a Orquestra Barroca, a Orquestra Nacional do Porto que faz a abordagem de todo o repertório sinfónico, clássico, romântico e todo o século XX e o Remix-Ensemble, especializado em música do século XX e XXI. Agora juntou-se o Coro Casa da Música que fazia muita falta neste contexto geográfico da península ibérica porque o mercado não é rico em coros profissionais de grande qualidade artística, que está a ser dirigido por um dos maiores especialistas do mundo que é Paul Hillier. È importante a Casa da Música como vector estratégico ter a sua produção própria e qualificar e transformá-las em estruturas altamente especializadas na interpretação musical e assim aumentar o nível de interpretação musical em Portugal, de acordo com o interesse público e de fundação da CM em desenvolver estas vertentes. -Neste projecto inovador existe alguma vertente que o grande público não conheça? Existem os grupos que já referi numa conjugação de trabalho em várias vertentes de trabalho desenvolvidas ao longo dos anos na Casa, que tem a ver com a estratégia de reafirmação dos grupos residentes. Trata-se de um exemplo a nível europeu, porque é difícil de encontrar, uma casa que tenha em residência uma orquestra sinfónica, um coro, uma orquestra barroca, etc. é quase um caso único. Outra vertente muito importante é o serviço educativo da própria CM, que promove um conjunto bastíssimo de actividades dirigido aos mais amplos destinatários: desde escolas, pessoas com deficiências, comunidades com carências sociais. O ano passado por exemplo formamos um coro nas prisões e este ano será com os sem-abrigo. -É só música ou engloba mais coisas? -A música é o motivo essencial mas há associações com outras actividades: com a Matemática, com os skates que estão a treinar nas portas da CM com o projecto educativo skates-ensemble a produzirem conteúdos musicais com as suas manobras através de aparelhos electrónicos. Ou também uma orquestra de I-Phones. -Como é elaborada a programação? Responde sobretudo a opções nossas, conhecemos o mercado, quer o português quer o internacional, e dependendo das estratégicas do anos vamos escolher as soluções que se adeqúem à referida estratégia. -Para a sua elaboração contam com a colaboração ou sugestões dos grupos residentes ou com o serviço educativo, por exemplo? -Sim, em determinadas circunstâncias, mas nós diferenciamos bastante o trabalho dos grupos residentes, do serviço educativo e estoutro de acolhimento de espectáculos como factor dinamizador no âmbito da música clássica, do jazz, do rock, etc. a paleta é de grande diversidade na abordagem de todos os géneros musicais. A nossa casa é a Casa de todas as músicas. Na parte da música clássica traz dez grandes pianistas durante todo o ano de carácter internacional que inclui um ou dois talentos portugueses no ciclo. Todos os anos desenvolvemos alternadamente o Festival Suggia e o Concurso Internacional á volta do violoncelo com a participação dos melhores alunos das escolas europeias. Suggia, o nome da nossa sala principal, na honra da nossa grande violoncelista portuguesa de meados do século XIX. Também temos o ciclo de música Barroca, todos os anos em Novembro que complementamos com um ciclo de concertos de jazz, das músicas do Mundo, de música portuguesa (fado nomeadamente), Outro momento importante é o Clubbing em que a Casa da Música a partir das 23h e até as 4, com espectáculos e DJs a trabalharem em simultâneo, que é de grande atractivo para todos os públicos porque as pessoas circulam num ambiente informal por toda a casa e podem assistir àquilo que gostarem. Muita gente da Galiza vem participar como numa espécie de turismo musical. Toda esta panóplia de iniciativas coloca a CM num patamar muito interessante de novidade, atractividade, de cruzamentos de público e vivências. E essa a nossa preocupação fundamental, que a CM seja uma estrutura aberta a todas as pessoas. -Concretamente com a Galiza, existe algum relacionamento, alguma parceria? Sim, estamos a colaborar com a Filarmónica da Galiza, eles estiveram cá na programação de 2009 e nossa orquestra já esteve em Santiago de Compostela. Essa relação vai a ser aprofundada na programação de 2010 podendo entrar também a orquestra Barroca. Tentamos ter algum contacto com a Direcção Regional de Cultura do Norte que participa num programa chamado “Criativa”, de desenvolvimento cultural entre o norte de Portugal e a Galiza, que se encontra numa fase de arranque entre o Governo da Galiza e a Comissão de Coordenação da Região Norte de Portugal. Nesse contexto a CM estará sempre disponível e interessada em colaborar. Existe um grande potencial para desenvolver parcerias futuras graças a uma identificação muito forte entre ambas as partes. Hoje em dia as pessoas do Norte de Portugal preferem assistir a um evento na Galiza do que em Lisboa. Era muito importante criar essa centralidade da Galiza relativamente ao Porto e o Norte de Portugal, e vice-versa. São perspectivas muito boas que devem ser trabalhadas.
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